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Por Larissa Busch – @larissabusch

Em Junho fiz uma road trip de nove dias pelas estradas peruanas. Éramos seis mulheres, uma van e mais de 2.300km. Antes de começar a contar sobre a viagem, posso adiantar que me apaixonei pela América Latina. Me apaixonei pela nossa história, nossa gente, nosso gingado, nossas terras, nossa força! Me encantei pela cultura peruana, sua simplicidade e ligação com a história dos povos nativos.

O Peru é um país muito grande, com uma natureza muito diversa. Por lá tem floresta amazônica, deserto, montanha, neve, praias tropicais, geladas e ondas de todos os tipos. A paisagem muda muito ao longo da estrada: cores, texturas, formatos, mar, lagoas, cidades… É preciso muito tempo para conseguir conhecer o país inteiro. Nessa viagem conheci Trujillo, Pacasmayo, Chicama, Huaraz, Ica, Paracas e Lima. É claro que faltou conhecer muitos lugares, mas tudo bem! Afinal, esse é um ótimo motivo para voltar em breve.

Apesar da road trip ser uma ideia muito romântica, é importante entender que nem tudo são flores e os perrengues farão parte da viagem. Nós atolamos o carro duas vezes, fomos paradas pela polícia três, pegamos estradas perigosas, fomos em banheiros sem privada, comemos todos os tipos de comida, ficamos sem gasolina e conhecemos todo tipo de gente. Se você não estiver aberto, tranquilo e disposto a viver situações como essas, é melhor buscar outro tipo de viagem.

Quando se viaja pela estrada, o caminho é fundamental para compreender o destino. É muito mágico entender exatamente como chegou ali! Além da oportunidade de conhecer diferentes lugares ao longo da viagem, você vai poder conversar bastante e ouvir muita música. Fiz uma playlist no spotify da Oh Boy com sons que escutamos durante a viagem. É só clicar [aqui]!

PASSAGEM

Existe um aplicativo chamado “Passagens imperdíveis” que faz um mapeamento das promoções de passagens aéreas e te envia uma notificação toda vez que surgir um bom preço. As passagens costumam acabar rápido, mas se estiver online no momento consegue comprar. É super seguro e eles te dão o link para comprar diretamente no site da companhia aérea.

DINHEIRO

O sole peruano está valendo praticamente a mesma coisa que o real. Porém, as coisas por lá continuam muito baratas, principalmente refeições e gasolina.

A ESTRADA

Dirigir no Peru não é uma tarefa fácil, os motoristas são imprudentes, buzinam muito e dirigem como loucos. Seguimos a maior parte da viagem pela Panamericana, que além de ter muitos caminhões, possui muitos trechos em obras e sem via duplicada. Por isso, se for repetir o nosso caminho, dirija com muita atenção e prefira pegar a estrada de dia.

Dia 1

Quando cheguei no aeroporto de Lima, minhas amigas já estavam no Peru. O nosso primeiro destino foi Trujillo, uma cidade grande ao norte.

Almoçamos na beira da estrada, em um dos restaurantes mais simples que já vi. Era uma tenda feita com toldos, chão de terra, sem paredes ou teto. Além de termos sido muito bem atendidas, a comida estava incrivelmente saborosa, bem temperada e feita com muito amor. Pagamos apenas 5 soles por pessoa! Comemos Pachamanca de frango, um prato muito típico da cultura peruana. A carne e legumes são preparados dentro de um buraco da terra, envolvidos por uma folha de bananeira. Segundo a cultura andina, a mãe natureza é fonte de fertilidade e vida, que nesse prato são devolvidos à ela para serem cozidos.

Depois de oito horas de estrada, chegamos em Trujillo e caímos no sono.

Dia 2

Acordamos bem cedo e fomos conhecer Chanchan, um dos mais preciosos sítios arqueológicos do mundo. Chanchan (Sol sol) foi a capital do reino Chimú, um dos povos mais poderosos da América do Sul. O passeio completo (entrada + guia) custou 17 soles. O lugar é mágico e tem uma história muito linda! O lugar é muito incrível e dá para fazer a visita guiada completa em mais ou menos duas horas. Vale muito a pena conhecer!

Seguimos para Pacasmayo, um pouco mais ao norte e 130km distante de Trujillo. A cidade é muito linda, charmosa e um dos principais destinos para surf trips. A arquitetura é um amor, bem antiguinha e bem preservada. Nós ficamos hospedadas no La Estacion Gran Hotel, próximo a Plazuela Miguel Grau. A localização e hotel eram ótimos, mas vale a pena contar que a água do banho demorava 30 minutos para esquentar.

No fim de tarde fomos tentar ver o pôr do sol em Santa Elena, uma praia mais escondida em San Pedro de Lloc. Acabamos atolando a van no meio do caminho e não conseguimos chegar a tempo. Estávamos ao lado de uma plantação de arroz e tivemos a sorte de conseguir a ajuda de um trator. Apesar do perrengue, nos divertimos muito! Como já tinha escurecido, decidimos deixar a visita para Santa Elena para o dia seguinte e voltamos para o hotel em Pacasmayo.

Dia 3

Acordamos bem cedinho e demos uma caminhada pela orla de Pacasmayo. Logo em seguida fomos para Playa Puemape. Essa praia é bem conhecida pelos surfistas, mas só costuma ter movimento no verão. Quando a visitamos, estava bem abandonada, como essas cidades vazias que vemos em filmes. Nós caminhamos mais de 4km por toda faixa de areia e não vimos nenhuma pessoa!

Seguindo para a direita, chegamos finalmente em Santa Elena, um vilarejo muito simples que estava recebendo eletricidade pela primeira vez naquele dia. Ao chegar lá, estava rolando uma confraternização com cerca de trinta habitantes. Eles estavam comemorando a chegada da eletricidade, então participamos do almoço junto com eles.

Obs: optamos por fazer esse caminho a pé, mas também dá para conhecer todas essas praias de carro. Vale a pena dar uma olhada no mapa!

Ainda de tarde, pegamos estrada em direção a Chicama, em Puerto Malabrigo. Chicama é muito conhecida por ter a onda esquerda mais longa do mundo, com mais de 4 km. Quando finalmente chegamos lá, o sol já estava se pondo. O mar estava bem pequeno e a cidade com quase nenhum movimento.

Voltamos para Trujillo e dormimos novamente por lá.

Dia 4

Saímos bem cedo e fomos para Huaraz. A viagem nos consumiu muita energia! Foi uma tarefa bem difícil porque nos deparamos com uma estrada muito ruim. Logo no começo, no trecho do deserto havia buracos enormes e muitos trechos improvisados. Essa é uma área de muitos terremotos e por isso as estradas são tão prejudicadas. Depois do deserto, o caminho é de muita subida e curvas.

A cidade fica a 4.000 metros de altitude, então é aconselhável beber bastante chá de coca para diminuir os efeitos da altitude. Não se desanime pela estrada, pois Huaraz foi o auge! Sem dúvidas, o lugar mais incrível que visitamos durante a viagem.

Apesar de ser rodeada por uma natureza incrível, a parte urbana é um pouco caótica. Chegamos na cidade sem saber onde nos hospedaríamos, nossa internet estava muito ruim e a ideia era encontrar algum hostel barato. Acabamos optando pelo Hostel Monkeywasi, por não ser muito isolado e ter uma vibe legal. Quando procuramos no google, ele estava em alguma lista dos melhores hostels da cidade e fomos lá conferir. Não é nenhum hotel cinco estrelas, mas as pessoas foram muito legais com a gente e valeu muito a pena.

O hostel tem desconto no restaurante La Rotonda, que fica em uma pracinha charmosa, chamada “Parque Periodistas”. Fomos muito bem atendidas! Essa zona é uma parte mais turística da cidade, com muitas opções de restaurantes, agências de passeios, informações turísticas, etc.

Dia 5

Acordamos bem cedo e fizemos um passeio para a Laguna Páron. Existem muitas Lagunas incríveis na cordillera blanca de Huaraz, mas essa era mais acessível e não levava tantas horas de caminhada. Não tínhamos muito tempo e nem dinheiro, então optamos por fazer um passeio mais simples.

Me emocionei muito quando cheguei lá. Foi sem dúvidas a paisagem mais lindas que já vi na vida! Nunca vou me esquecer do que senti quando vi pela primeira vez aquele tom de azul intenso no meio da montanha. A Laguna é imensa e a energia da cordilleira nos abraça. Subimos uma trilha até o mirante e ficamos sentadas nas pedras enquanto contemplávamos a natureza.

A entrada no parque custou 5 soles, e o passeio com o guia cerca de 150 por pessoa. Voltamos no fim de tarde e pegamos um trânsito bem chatinho na entrada da cidade. O guia nos apresentou o Guaino Peruano, um estilo de música bem típico da região.

Dia 6

Tomamos café da manhã no restaurante La Rotonda e seguimos em direção a Lima. Foi mais um dia inteiro de estrada, regado a muitas risadas e música boa. A descida de Huaraz foi bem mais tranquila do que a subida!

Quando estávamos aproximadamente no km 69 da Panamericana paramos para ver o pôr do sol em uma pequena faixa de areia e atolamos o carro novamente. Tivemos sorte mais uma vez, pois estávamos em uma das poucas áreas de pedágio. Buscamos o telefone de resgat, que fica no comprovante de pagamento e conseguimos chamar ajuda.

Paramos em Lima para esticar as pernas e comer. Logo depois seguimos para dormir em La Encontrada, uma praia ainda dentro de Lima porém mais ao sul, distante e escondida. A Panamericana Sul é toda duplicada, mas o trajeto foi bem difícil porque era madrugada e estávamos todas exaustas.

Dia 7

Nesse dia fomos para Cerro Azul e finalmente consegui surfar! O mar estava perfeito, com meio metro crescendo durante o dia. Foi a primeira vez que surfei fora do Brasil e as condições estavam muito boas para aprender! Eu não precisava nem me preocupar se uma onda iria fechar em mim, porque lá as ondas tem um tempo diferente e o mar é muito organizadinho.

Depois do surf entramos no carro e seguimos para Ica, um oásis no meio de um deserto. Fechamos um passeio muito legal de bugre pelas dunas e foi bem divertido! O guia descia as dunas super íngremes com toda velocidade. No começo, eu achei que o trajeto seria até o Oásis, mas na verdade se sai do Oásis para o deserto.

Optamos por dormir no Paracas 360 Eco Hostel, que custou 50 soles por dia. O Hostel era composto por muitos containers, tentando recriar a experiência de um trailer. Apesar de soar meio fake, achei bem legal! O clima era super agradável e todas adoramos.

Dia 8

Depois de tanta estrada, estávamos super cansadas e resolvemos aproveitar o dia no próprio hostel. O passeio para Islas Ballestas é super recomendadao, mas estávamos sem dinheiro no final da viagem. Ficamos na piscina pegando sol, relaxando, ouvindo música, bebendo pisco souer e arrumando nossas coisas para partir de volta para Lima.

Dia 9

Tomamos café da manhã no Ino Deli Gourmet, um restaurante super legal que vale a pena conhecer quando passar em Lima. Ele fica em San Isidro, na Calle Burgos 310. Os sanduíches com abacate são muito bons, assim como os sucos! Todos os canudos são de metal, para evitar o plástico descartável.

Demos uma volta por Miraflores e depois fomos até visitar um mercado Inca. Durante toda a viagem nos seguramos para não comprar artesanato e lembranças nos lugares turísticos, porque nos mercados incas de Lima tudo é muito mais barato. Fiz milagre com o pouco que sobrou e enchemos a mala de lembrancinhas peruanas.

Voltamos para casa, arrumamos a mala e voltamos para o Brasil. Estou escrevendo esse post dois meses depois e não tem um dia em que não lembre de alguma coisa boa que essa viagem me trouxe. Foi muito especial, não só pelos lugares incríveis, mas também pelas pessoas especiais que tornaram essa viagem inesquecível.

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