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Por Patrícia Werneck – @patwerneck 

A experiência foi vivida até a última gota. Gota de conexão com tantas matas, tantas almas e tantas águas abundantes e energizadas!

Mal me acho pelas florestas encantadas, ela grita esse grito redundante. Ela, Amazônia, pede olhos atentos. Grita decência, consciência, cuidado, limite, respeito e muito amor!

“A Amazônia só serve se for em pé”. E nós só servimos se for para respeitar seus limites. Só há esse futuro.

E já no segundo dia me embalei nos redários das comunidades, tão cheias de urucum, tapereba (nossa nova fruta preferida), chuva, sol, lendas, seres encantados da mata tão reais. O curupira, o chupe-chupe, mosquitos (muitos!), sapo que come a ração do gato, casa sem parede, novos amigos, redários, carrapato (sim, nós pegamos micuim), iguarapé, dentre tantos nomes que ainda tô tentando entender.

Ouvi do representante da comunidade Anã o seguinte (com liberdade da palavra do que entendi): as pessoas têm que olhar pra gente e ver que também somos pessoas, que pensamos, lutamos, temos ideias, fazemos políticas e representamos evoluções sociais micros e macros.

Eu disse respeito! Há muito mais do que pensamos sobre a Amazônia, mais do que eu pensava. Mas muito mesmo! Há tecnologia, há natureza, há indivíduo ativo! O coletivo por lá reina, as mulheres por lá reinam e são MUSAs – Mulheres Sonhadoras em Ação (projeto local liderado por dona Odila, daquelas MULHERES fortes e cheias de histórias). Os sonhos, por lá, são sonhados com muita força. As construções e artes são admiráveis.

O tratamento com o outro, cuidadoso e de carinho. O futuro é lá, “tu é doido é”!

Agora ilumine o olhar e a mente, observe. Veja além do seu alcance rotineiro. O ciclo não é linear, nunca foi. O ciclo é circular:

pegue, usufrua e devolva com renovação. A responsabilidade do futuro (ou presente) é

de cada um. A natureza é de onde viemos, de onde somos e quem somos.

Essa energia pulsante nos alimenta. Então, alimente-a também.

Nós voltamos diferente.

Obrigada.

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